quinta-feira, 8 de julho de 2010

Paixão Apostólica


O que seria a paixão apostólica?
O termo paixão pode ser usado para descrever tudo, desde um romance até as sensações mais agudas de fome. Num sentido mais direto, paixão significa tudo que uma pessoa se dispõe a sofrer por alguma coisa. É algo que ansiamos tanto que estamos dispostos a sacrificar qualquer coisa para alcançá-lo. “Morrer de amor ou por amor”.
A palavra apóstolo significa “enviado” ou “mensageiro”. Paixão apostólica é a escolha intencional e espontânea de viver para adorar e fazer Cristo conhecido em todo o mundo. Implica em estar comprometido até a morte com a proclamação do evangelho.
Temos essa paixão apostólica? Se você não estiver disposto a sofrer e sacrificar por alguma coisa, então você não tem paixão por ela. Se você diz que ama a Cristo, mas não estar disposto a sofrer e fazer sacrifício para fazer Cristo conhecido no seu trabalho, na sua rua, na sua cidade, então na verdade você não tem paixão por Ele e nem por seus propósitos.
Como obter essa paixão apostólica? É bom saber que essa paixão não vem através do 0800. Você pede e ela chega de graça. Não vem como um pedido de um lanche. Daqui a 15 minutos ela é entregue. Também não pode ser obtida através de uma oferta. Dar R$ 50,00 por ela.
Para se obter a paixão apostólica é preciso da ajuda de Deus, de buscar cultivar essa paixão. Paulo nos diz em todo capitulo 15 de Romanos que seu desejo ou paixão, era tornar Cristo conhecido. Para ele esse desejo começou na estrada de Damasco e continuou dia a dia. Ele nos diz em Romanos 15:17 que se gloriava em Jesus e no seu serviço para com Deus. No vers. 16 ele declara que era direcionado a tornar “agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo”.
O entusiasmo humano não pode sustentar a paixão apostólica. Deus investe essa paixão em nós, é identificada por nós através daquela expressão que a igreja usa para os primeiros dias do novo convertido: “fervor da conversão”. Mas para que esse fervor permaneça, e no caso daqueles que já passaram desta fase, que retorne, é necessário cultivar o que Deus nos Deus, essa paixão, então como os apóstolos teremos esse sentimento.
Quatro coisas nos ajudarão a ter a paixão apostólica:
1. Desprendimento apostólico – Mc 1:16-20 / Gl 2:19-20.
Muitos na igreja desejam ter os frutos do ministério dos apóstolos, sem, contudo, querer paga o preço que os apóstolos pagaram. Pedro, André, Tiago e João, Mateus e os demais tinham suas vidas estabelecidas, mas foram capazes de deixarem tudo para seguir a Jesus.
O apóstolo Paulo morria diariamente. Esse homem genioso e obstinado sabia que precisava morrer para o próprio eu. Sabia que, em sua carne, não podia gerar a revelação de Jesus e nem sustentar o coração de Cristo. Então ele morreu. Ele abandonou sua vida e passou a viver para Cristo.
Vivemos num mundo de paixões conflitantes. Se não enchermos a nossa vida com a ardente paixão pela adoração a Deus e pela proclamação do evangelho, acabaremos cultivando paixões por outras coisas.
A paixão apostólica morre em nossos corações quando sonhamos mais com esportes, quando sonhamos mais com lugares que não visitamos, quando sonhamos mais com o nosso sucesso profissional, do que com pessoas que adorando a Deus e reconhecendo a Cristo em sua vida.
Temos a paixão apostólica quando o nosso coração estiver cheio do desejo de Deus, que é ver seu filho adorado entre as nações.
Queremos cultivar a paixão que os apóstolos tiveram e que Deus já nos deu quando nos convertemos?
Devemos então ter o mesmo desprendimento que os apóstolos tiveram.
2. Foco apostólico – At 2:36-38 / Fl 3:13-14.
O maior inimigo da proclamação do evangelho é a falta de foco. Você pode andar de lá para cá, gastando energia em varias atividades na igreja sem dar nenhum passo em direção a proclamação do evangelho.
Tudo na igreja, cada ministério, seja a escola bíblica, a reunião das sociedades, o ministério com criança, tem de ter como principal objetivo fazer Cristo conhecido. Deus nos chamou para fazer discípulos, o chamado da igreja é fazer Cristo conhecido. Precisamos nos concentrar nisso ou estaremos sendo desobedientes.
Tudo que fazemos tem de ter como objetivo final a proclamação do evangelho. O foco dos apóstolos era apresentar Cristo e a sua mensagem, este deve ser o nosso.
Todas as nossas atividades devem ser realizadas com o propósito de fazer Cristo conhecido, isso é o testemunhar.
Pedro realizou todo o seu discurso, dirigiu toda a sua conversa para uma só saída, levar as pessoas a Cristo. Quando acabou de falar não havia outra saída para aquelas pessoas do que perguntar: como resolver a nossa situação? Então ele fez Cristo conhecido.
Paulo tinha também o mesmo objetivo. Ele tinha consciência de que Deus estava utilizando o seu ministério de maneira surpreendente. Mais ele diz que não olha para estas coisas, não porque não era importante, mais porque poderia lhe tirar do foco.
Seja qual for à atividade que você exerça você tem que ter um objetivo: fazer Cristo e o seu evangelho conhecido. Este é o seu foco.
A paixão apostólica, aquele sentimento que os apóstolos tiveram, é encontrado em nós quando cultivamos o desprendimento que eles tiveram e o foco que eles tiveram.
3. Oração apostólica – At 8:14-15 / 1Ts 5:17.
Certa vez um jovem se aproximou de David Wilkerson, fundador do desafio jovem em Nova York, entidade destinada a cuidar de drogados, e se ofereceu para ajudá-lo. Wilkerson perguntou ao jovem quanto tempo ele orava por dia. O jovem estimou que 20 minutos. Wilkerson lhe respondeu: “Volte daqui a um mês e ore duas horas por dia nestes 30 dias, e talvez eu pense na possibilidade de soltá-los nestas ruas de Nova York cheias de drogas, assassinatos, estupro, violência e perigo. Se eu o enviar agora, com seus 20 minutos de oração por dia, estaria enviando um soldado à batalha sem arma alguma, e você seria morto.”
Você pode ir para o céu sem muita oração. Você pode ter um momento de devocional de poucos minutos com Deus, Ele ainda o amará e o garantirá na Sua presença. Mais você não fará Deus conhecido entre os povos conversando com Deus apenas um minuto por dia.
Este tipo de oração não dará a você condições de sobreviver nos lugares difíceis onde Cristo não é conhecido e adorado. Você será silenciado, você será engolido.
Leia tudo o que os apóstolos escreveram sobre oração. Orar dia e noite, com lágrimas, sem cessar, com ações de graças, no espírito, com intrepidez, por tristeza segundo Deus, contra o maligno.
Observa o quanto Jesus orou. Todas as vezes que se afastou para ter um tempo com o Pai. A paixão apostólica é regada pela oração. Você não sentirá uma paixão intencional e espontânea de viver para adorar e fazer Cristo conhecido em todo o mundo, se não tiver uma vida de oração.
Por último.
4. Determinação apostólica – 1Co 1:17 / 2Tm 4:2.
Há uma grande quantidade de cristãos supernutridos mais submotivados, cristãos que conhecem a Deus, mais não se envolve ativamente em sua obra, pregar o evangelho. Estão escondidos sob a desculpa de que Deus ainda não falou com eles. Estão esperando ouvir vozes ou ter sonhos onde Deus lhe manda para fazer determinada obra.
A grande comissão, o ide e pregai dito e repetido é para quem?
A determinação apostólica começa com a paixão pela glória de Deus entre as nações, e daí vem à pergunta: Onde te servirei?
A maioria dos cristãos não sente essa paixão, e por isso nunca vão. Só escuta o “fique”. De quem estão ouvindo essa ordem?
Se você tem uma paixão apostólica então você está determinado a fazer Cristo conhecido entre os povos, então você é uma pessoa perigosa.
Por quê? Alguns motivos:
a) O mundo não governa mais o seu coração, você não é mais seduzida por seus encantos.
b) Você é um peregrino, não estar mais enraizados pelos bens e preocupações desta terra.
c) Você não teme a morte, é ousado em achar um privilégio morre por Cristo e seu evangelho.
d) Você vive satisfeito, contente em toda e qualquer situação, pois vive para Cristo e para a glória de Deus.
É por isso que você é uma pessoa perigosa. O mundo não o aceita, satanás o teme, os anjos lhe aplaude e Deus se agrada.
Quando você cultivar o desprendimento apostólico, quando você tiver o foco apostólico, quando você orar como os apóstolos e quando você tiver a mesma determinação que eles tiveram então você sentirá a mesma paixão que eles sentiram.
A questão é: quantos desejam ter essa paixão? Você quer ter essa paixão? Eu quero ter? Nós desejamos sentir essa paixão intencional e espontânea de viver para adorar e fazer Cristo conhecido em todo o mundo?
Cabe a cada um dar a resposta a essa questão.

Pr. Denilson Roque
Estudo tendo como base o livro: Paixão Apostólica, por Floyd Mcclung.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Música, os Ritmos e os Instrumentos


Terceira parte
Conselhos litúrgicos e musicais para Igreja no tempo pós-moderno

A Igreja e o repertório musical

Existe uma narrativa que explica a vida e a História. Há padrões de beleza absolutos que estão além da linguagem e refletem a grandeza e a sabedoria de Deus que criou todas as coisas. Deste modo, há música boa e música ruim num sentido ético e num sentido estético. A música que se propõe às Igrejas evangélicas da atualidade é definida pela lógica do mercado, possui mensagem diluída, aceitável a uma gama enorme de clientes, cada vez menos exigentes. As formatações e métodos dessa música não diferem nada das formatações e métodos utilizados na música secular, cujo propósito infame tem se resumido a lançar um produto atraente, vendável, de fácil acesso e impressionante.


Tenho notado que, num processo mais lento do que o acontecido nas Igrejas Renovadas, Igrejas e crentes têm utilizado a produção musical desta linha. À luz da abertura de certos precedentes, mais e mais se têm cantado em Igrejas Batistas Regulares as músicas de Aline Barros, Kleber Lucas, Cassiane e Oficina G3. Em famílias de Igrejas Batistas Regulares, no aniversário das crianças, ao invés de Romilda, ouve-se Ana Paula Valadão e Cristina Mel, que replicaram os mesmos padrões musicais que escandalizaram famílias brasileiras nos programas infantis da década 1980.


Proponho que utilizemos como fonte de repertório musical para os cultos as músicas publicadas em hinários. Os hinários são organizados por doutrina, preservam o melhor da produção hinológica de diversas épocas e revisam esta produção da perspectiva técnica de poetas, músicos, pastores e teólogos. Esta proposta não descarta necessariamente a produção musical atual contato que esta se alinhe com a qualidade aplicada aos hinários. Não se joga a água suja junto com o bebê, mas a lógica de mercado a que a música evangélica tem vilmente se sujeitado não é correta e não deve fazer parte da dinâmica de nossas Igrejas.


A Igreja e a educação musical

A opção pelo repertório publicado em forma escrita, organizada em hinários, exige um conhecimento musical que a maioria de nós não têm, inclusive os músicos. Quem de nós tem condições de cantar uma música a primeira vista apenas tendo a música escrita à frente? Quero afirmar que este conhecimento é possível, que não é algo exclusivo daqueles que querem se profissionalizar na música e que este é o conhecimento pressuposto da publicação dos hinários. Por que um editor publicaria um livro cheio de poesias sacras com a partitura alinhada à cada sílaba? Para que estas músicas sejam cantadas. E como estas músicas serão cantadas se as pessoas não souberem ler a pauta musical?


Deste modo, nossas Igrejas e nosso país necessitam de um programa sério de educação. Enquanto nossos músicos e nossos pastores apenas conseguirem aprender músicas por imitação, estaremos à mercê de uma contracultura que se representa por mídias acessíveis que carregam qualidade duvidosa. Carecemos de exemplos de boa música cristã, porque não estamos mais formando bons músicos cristãos, em música e em teologia. Usar então as mídias hodiernas que publicarão a boa música será a parte fácil.


Finale

A música é uma linguagem. Ele é composta de signos que representam significados de modo complexo e intrincado. O relacionamento da música com a Igreja e a adoração sempre foi polêmico e difícil de resolver. Parte do problema é criada, porque linguagens são dinâmicas, elas mudam com o passar do tempo à luz de uma quantidade enorme de variáveis. O problema também é criado por causa da subjetividade envolvida no assunto. Como a música tem o poder de mexer com nossas almas, quando uma música de que eu gosto é questionada ou quando uma música de que eu não gosto é utilizada, o que é primeiramente sentida é uma ofensa pessoal e não uma quebra de princípio bíblico ou doutrinário. É inevitável haver discussão, polêmicas e questionamentos e até positivo quando estas nos forçam a refletir sobre o assunto, com base em estudo bíblico e teológico, não simples divisão e promoção pessoal.


Não há, portanto, uma fórmula musical pronta, a não ser que queiramos usar o mesmo estilo musical para sempre. Se adotássemos a música da Igreja Primitiva nos nossos dias, acharíamos esta música muito estranha, inclusive inapropriada. Devemos, a cada virada de século, reformular os nossos padrões musicais, continuando a seguir os mesmos princípios bíblicos, mas contextualizando esses padrões musicais a sua época. "Como esta reformulação será feita?" – é a grande questão.


Uma orientação aqui para responder esta pergunta não realiza todo o doloroso processo, porque todo o processo envolve resolver questões que só as pessoas daquela época podem saber. As orientações, entretanto, são necessárias. Precisamos, primeiro, estudar as Escrituras para encontrar os princípios bíblicos que norteiem nossa adoração e nossa música. Segundo, precisamos de pessoas preparadas em música e teologia que formulem padrões musicais adequados e produzam boa música a partir daqueles padrões. Terceiro, devemos investir institucionalmente na educação musical e na publicação de música digna utilizando as novas mídias, mais rápidas e eficientes.


Que nos auxilie a vencer os desafios musicais e institucionais da música na Igreja!


Autor: Pr. renato Brito
Igreja Batista Regular de Novo Juazeiro